Um conto e alguns centavos

sábado, 16 de janeiro de 2010

Diante das incertezas,

a esperança nos fortalece e nos impulsiona para o futuro.



Caminante, son tus huellas

el camino, y nada más;

caminante, no hay camino,

se hace camino al andar.

Al andar se hace camino,

y al volver la vista atrás

se ve la senda que nunca

se ha de volver a pisar

Caminante, no hay camino

sino estelas en la mar.


(Antonio Machado, Canto XXIX, Proverbios y Cantares¹)



***


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Cans.

Letra de música de uma das bandas que mais gosto. A mensagem é positiva, intimista. Friza-se o valor da amizade, estar ao lado das pessoas e viver as coisas simples como assistir TV comendo sucrilhos pela manhã, e desligá-la cedo para ver as estrelas à noite. Isso tem sido constante em meu cotidiano.

Outra mensagem interessante é: "And if you find you feel you're falling through the floor just put your hand out in the dark and feel the bones inside you singing out again".

Em busca dessa linha, comecei a praticar yoga. E a sensação é essa: Sentir o corpo em contato com as coisas externas. Fazê-lo cantar, equilibrar a respiração e conhecer melhor os movimentos do corpo. Destrava os ossos e as articulações. Eu senti meus ossos estralarem sem que eu fizesse movimento para isso. Relaxa todo o corpo, ganha condicionamento físico e faz-me evitar o ambiente narcisico das academias de musculação.

Por fim, vale o momento de novas expectativas para um novo ano: All decisions pleasure made / Lift up our bodies in the air / Just to feel another one...


Se possível ouçam a música. Deleita-me.







Após tudo isso, põe as coisas boas numa latinha e beba saúde!



abraços.

novo aeon

Quem diria que o Infected Mushroom pudesse-me dizer algumas palavras idealmente filosóficas (!) para a entrada do novo aeon:


De me todo lo que paso
No me di cuenta ni que me pego
Todo da vueltas como un carrusel
Locura recorre todita mi piel...



Então, deixemos esse mundo 'da vueltas como un carrusel'... Nada como curtir uma rave em fim de ano! Isso emana a "locura que recorre todita mi piel"!!


Feliz Ano Novo para quem assim desejar e o "que paso"... passou!


Por isso vale um desafio para 2010:


Descubra quem você é e seja de propósito!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo




sábado, 5 de dezembro de 2009

eu vou navegar nas ondas do mar eu vou navegar...

Uma das metas para os próximos anos será cantar versos que há tempos venho tentando. Ouve-se uma canção...



Aqui estamos juntos
Ao pôr-do-sol
Dois navegantes
No mesmo barco

Aqui estamos sós
Ao por-do-sol
Andando lado a lado
No mesmo mar

Não deixes a vela apagar
Nem o mastro cair
Nem a corda prender

Só deixes o vento que solta
Teus cabelos
Espelhos dos meus

Te soprar
E soprar em mim
Pra depois
Deslisar em ti
Deslisar em mim



Acredito nessa possibilidade como causa própria. Quero ser dois. Motivos para cantar, navegar aos ventos, barco ao por-do-sol, são os que muitas vezes nos faltam ao dar as mãos e abraçar. Que significa então beijar, sussurrar...? No fundo, mãos e braços, bocas e lábios a dois... amar?

E os olhos abertos? E o sorriso?

Toca outra canção: "Os olhos abertos e o sorriso de quem se liga no mar..."

Ah, eu vou navegar... nas ondas do mar eu vou navegar mesmo se o mastro cair, a corda prender; a vela apagar.. vou onde os ventos soprarem uma canção.


Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível..

(Mário Quintana)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

1ª pessoa do singular.

Entre 3 de julho e 3 de dezembro somente restou-me uma lacuna. Dilatando a pupila. Nesse entretempo, absorto em pensamentos, quase não ouvi meus próprios passos na calçada. Criei um entrelugar para não desencantar-me de vez. Viver é bom. É preciso viver o presente, não navegar. Barcos afundam e todos vão juntos. Caem no mar.

Mas, como diz um amigo (Ranniery), ainda que em outro contexto, "A vida é uma dilatada estrada que dói. E o tempo? O tempo faz estradas.". Desalentos de fim de ano. É melhor trabalhar o desapego. Infligir a memória. Encontrar um brilho que dure eterno nas lacunas da mente. Mas sem lembranças. Não lembrar é o ato de devolver à vida o que ela te deu.

"A vida é uma dilatada estrada que dói. E o tempo? O tempo faz estradas.". Estradas que bifurcam caminhos, que leva-nos a alguma parte ou a lugar nenhum. Essa segunda opção é mais sincera comigo. Pois se cheguei a alguma parte ela parece não estar em lugar algum. Indeterminações que o espaço e o tempo constrange ao homem.

Depois que percebi que "Já não tenho dedos para contar de quantos barrancos despenquei, de quantas pedras me atiraram e quantas atirei..." caí em tentação de abraçar o amor próprio como causa única para sorrir àqueles que amo. Sem ele eu dependeria dos outros para sorrir, sugando-lhes as energias e constrangendo seus tempos, seus espaços.

Após 6 meses o vento mudou de direção. O vácuo criado pelo vento frio ao norte enunciava uma mudança muito forte, em 1ª pessoa, descerrando as estradas íntimas contaminadas pelo desentendimento das palavras. A vida secreta das palavras - ou do silêncio - fala por si só. Ao mesmo tempo que descerra estradas enuncia fronteiras.

Cria um contrasenso: entre 'eu' e o 'outro' existiu algum 'nós'? Não! Apenas dois estranhos... ou não?