terça-feira, 24 de novembro de 2009

alguns centavos

liminaridades e contingências.

01:32 da manhã.

O cheiro da diamba dita o ritmo do meu tempo, estado que sente-se lentamente, diluindo a ansiedade anterior.

Ouço agora Trio Brasileiro, banda gaucha que me chamou a atenção. Sonoridade própria, Jazz hibrído e como mesmo ditam "O "Trio de Janeiro" acredita que essa linguagem seja o novo capítulo da post-moderna música improvisada e vê sua música como alegre futuro do Jazz". A banda "mescla música folclórica brasileira, elementos da música africana e jazz europeu contemporâneo. O resultado é um estilo próprio, experimental, às vezes latino, às vezes africano, mas baseado nas tradições da música improvisada".

http://www.myspace.com/triodejaneirojazz

Nessa horas o crtl+c, ctrl+v com um pouco de criatividade é muito importante.

01:36

Desde 01:00 no apartamento vizinho ouve-se uma discussão entre filho e mãe. Pude observá-lo algumas vezes. Pele morena castanha-escura. Corpo jovem-adolescente. Sempre me pareceu um cara tranquilo, até os cabelos revelam isso. Mas não sei descrevê-los agora. Já o vi chegando de bike no condomínio quando fui pedalar com Presunto (Zé Carlos).

Ele discutia estranhamente. Voz chata e irritadiço. A mãe, também palavreava. Identificar o que eles conversavam não me importava. Apenas contei o tempo da discussão. São 01:43. Já escrevi linhas e já fiz xixi. Eles discutiram, na cozinha, até 01:41. Depois a mãe saiu. Ele foi pro fogão cozinhar e fazer o que fazia antes. Sera que ele tava discutindo uma receita de macarrão com a mãe? Ok.

Nesse entretempo, ouvi o grupo de jazz, enviei fotos de momentos liminares, festas de rua, passeios. Por email tudo isso mais rápido chega à pessoa. Instantaneidade que captura o momento, torna memória ou retórica do que passou...

01:50

Depende do dia seguinte. Fui à janela do msn (da janela do vizinho para a internet), avisei que havia mandado as fotos. Bonita a foto do perfil. Rosto claro deitado ao chão de grama da Sementeira. A luz amarela colorava os traços formando uma matiz diferente. Deixei um beijo de boa noite.

Troquei links apresentando o Trio de Janeiro a meu primo que me passou um blues/rockabilly atual. O link é esse http://www.myspace.com/imeldamay1. Vi a foto do perfil da artista e não gostei. O cabelo dela ficou ridículo e a expressão pálida de um branco branco demais.

Enfim, nesse entretempo passei uns 2 minutos pesquisando o uso da palavra "matiz". Queria saber se estava concatenando as ideias. Tudo ok, e o blues começou a tocar. Dançante e mexeu levemente minhas pernas, mas lembrei que não sei dançar e parei naturalmente. Ah, pernas! não sei dançar. Isso traumatiza um homem ou não, mas nos fecha muitos tantos lugares e abraços.

02:02

O sono chegou. O cheiro passou. O cara do apartamento vizinho deve tá na sala comendo o suposto macarrão ou o juízo da mãe. A menina deve estar dormindo. Não sei, meu msn já está fechado.

02:05

Bom, tudo isso criou um entretempo cheio de contingências. Deu-me sono, lembrei do livro do Martin Page, Como me tornei estúpido. O cara é antropólogo desiludido com a academia. Será que isso quer dizer algo? O capítulo que li ontem antes de dormir não foi interessante. Falava de suicide. Isso não bate comigo. Acho que vou ler Meu pé de Laranja Lima, dá-me sono também. Afinal é infanto-juvenil. Aí dorme-se bem, feito menino.


Bjos

Boa noite.
http://algunscentavos.blogspot.com/2009/11/rain-is-coming.html

mudei o vídeo..

:)

domingo, 22 de novembro de 2009

Objetivos a longo prazo.

Não se esforce tanto buscando algo muito difícil.

Além de não aproveitar o presente, você perderá o futuro.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Peanuts


Há momentos que recorremos às inspirações infantis para poder sorrir de verdade. Ingênuas ou não, as crianças são as maiores filósofas do mundo. São elas que perguntam acerca de tudo, mas tateiam, inventam representações. Iludem até os adultos antes para obter uma resposta. Um sim, um não. Não querem verdades, querem apenas aprender a aprender.

Essa semana recorri ao artifício da memória. Lembrei-me de um dos meus desenhos prediletos: A turma do Charlie Brown.

Foi procurando algumas imagens que encontrei essas frases abaixo. Dentre tantas destaquei as que inscrevem um momento, enunciam um entretempo, mesmo que eu preferisse o contrário.


"Em todo este mundo, não há nada mais inspirador do que ver alguém que acabou de se livrar de uma obrigação" (Linus van Pelt)

Charlie Brown: "Esse seu muro de pedras está sendo sua nova terapia, Linus. Toda vez que estiver com um problema você pode vir aqui e colocar mais uma pedra"
Linus: “Não têm tantas pedras assim no mundo, Charlie”.

“Mas o amor não existe para fazer a gente feliz?”
(Charlie Brown)

“É melhor ter amado e perdido do que nunca ter amado na vida”.
(Charlie Brown)





sábado, 14 de novembro de 2009

alguns centavos

(...)

Tinha poucos amigos, porque padecia dessa espécie de anti-sociabilidade que resulta da demasiada tolerância e compreensão. Os seus gostos não-exclusivos, disparatados, baniam-no dos grupos que se constituíam a partir de desgostos comuns. Se ele desconfiava da anatomia odiosa das multidões, era sobretudo a sua curiosidade e paixão desprezadoras de todas as fronteiras e clãs que faziam dele um apátrida no seu próprio país. Em um mundo em que a opinião pública está confinada nas pesquisas às possibilidades sim, não e sem opinião, Antoine não queria preencher nenhum quadradinho. Ser a favor ou contra era para ele uma insuportável limitação às questões complexas. Além disso, possuía uma delicada timidez à qual se aferrava como uma reminiscência infantil. Parecia-lhe que um ser humano era tão vasto e tão rico que não poderia haver maior vaidade neste mundo que estar demasiado seguro de si com respeito aos outros, com respeito ao desconhecido e às incertezas que cada um representava. Por um momento teve medo de perder a sua singela timidez e juntar-se ao bando dos que nos desprezam se não os dominamos; mas, graças a uma vontade obstinada, soube conservá-la como um oásis da sua personalidade. Apesar de ter recebido numerosos e profundos ferimentos, isso em nada lhe tinha enrijecido o caráter; ele guardava intacta a sua extrema sensibilidade, que, como um fênix, renascia mais pura que nunca cada vez que era maltratada e morta. Enfim, se acreditava razoavelmente em sim mesmo, esforçava-se por não acreditar demasiadamente, por não concordar facilmente com o que ele próprio pensava, pois sabia como as palavras do nosso espírito gostam de nos prestar serviços e nos reconfortar logrando-nos.

Antes de tomar a decisão que iria mudar a sua existência de diversas maneiras, antes, pois, de tornar-se estúpido, Antoine tentou outros caminhos, outras soluções para resolver a sua dificuldade em participar da vida.

Eis a sua primeira tentativa, que se poderia julgar desastrada, mas que foi plena de sincera esperança.


(Martin Page, 2005, Como me tornei Estúpido)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009



"A verdadeira natureza das coisas se revela apenas na ruína"

Italo Calvino



domingo, 8 de novembro de 2009

Rain is coming...



Letra:

Hah
Hahye hahye aye hahye ...

Om maam pum imjya
Kothbiro
Ke luru do ketaa-lha
Om maam pum imjya
Kothbiro
Ke luru do ketaa-lha

Hah
Hahye hahye aye hahye

Om maam pum imjya
Kothbiro
Ke luru do ketaa-lha
Om maam na pum imjya
Kothbiro
Ke luru do ketaa-lha

Hah
Hahye hahye hahye

(INTERLUDE)

Hah
Hahye hahye hahye

Yah yebi tom nuguee
Um kuru tili bare made
Kothbiro
Kem luru do ketaa-lha

Tradução:

Kothbiro (rain is coming)

Aaa aye aye
aye aye
aye aye

Auma do you hear what I say
The rain is on it's way
Return our cattle home

Yaye the children
What is it that you think you do?
The rain is on it's way
Return our cattle home.